Trítono
O trítono é o intervalo de seis semitons, ou três tons inteiros, que divide a oitava exatamente ao meio e se escreve como quarta aumentada ou como quinta diminuta.
Como é um trítono em notas reais?
A partir de Dó, seis semitons acima fica a tecla entre Fá e Sol. Escrita como Fá♯, ela forma uma quarta aumentada (Dó–Fá♯). Escrita como Sol♭, forma uma quinta diminuta (Dó–Sol♭). Mesma tecla, mesmo som, dois nomes.
Dentro de Dó maior há exatamente um trítono: Fá e Si, o quarto e o sétimo graus. De Fá subindo até Si é uma quarta aumentada; de Si subindo até Fá é uma quinta diminuta. Essas duas notas aparecem juntas no acorde de sétima da dominante G7 (Sol–Si–Ré–Fá).
Como soa um trítono?
Tenso e sem resolução, de um jeito que nenhum outro intervalo iguala. Ele fica um semitom acima da quarta justa e um semitom abaixo da quinta justa, e não soa como nenhuma das duas.
No G7, o trítono resolve para fora: Si sobe um semitom para Dó e Fá desce um semitom para Mi, formando o acorde de Dó maior. Esse duplo movimento de semitom é boa parte do motivo de a sétima da dominante puxar tão forte para a tônica.
Um exemplo melódico conhecido: a canção “Maria”, de West Side Story (no Brasil, Amor, Sublime Amor), começa com um trítono ascendente nas duas primeiras sílabas do nome.
Por ser exatamente metade de uma oitava, o trítono é o único intervalo que continua igual quando invertido. Vire Dó–Fá♯ para Fá♯–Dó e ele continua tendo seis semitons.
O trítono foi proibido como “o diabo na música”?
O apelido latino diabolus in musica é real. A história popular de que a Igreja medieval proibiu o intervalo não tem apoio documental. A teoria medieval e renascentista tratava o trítono como uma dissonância a evitar, ou a usar com cuidado, nas melodias, o que é uma regra de estilo, e não uma proibição. Depois, a harmonia tonal o tornou central: todo acorde de sétima da dominante contém um.
Experimente: Qualidade dos intervalos toca a terça maior, a quarta justa, o trítono e a quinta justa e pede que você os diferencie de ouvido.