Qualidade dos intervalos — justo, maior, menor, diminuto, aumentado

A lição anterior te entregou uma tabela com os nomes dos intervalos e uma regra para usá-la: conte os semitons. Essa regra é um bom ponto de partida e não é a verdade inteira — e a própria tabela mostra onde ela se esgota.

Olhe de novo. Ela vai de 5 semitons direto para 7. Não existe linha para 6.

Essa lacuna não é um descuido. É o contorno de algo que a regra da contagem não consegue expressar, e esta lição trata justamente do que preenche esse espaço.

Duas famílias, não uma

Leia os nomes daquela tabela e você vai notar que eles não funcionam todos do mesmo jeito.

Segundas, terças, sextas e sétimas vêm aos pares — maior e menor, separadas por um semitom. Todas elas têm as duas formas.

Uníssonos, quartas, quintas e oitavas não têm esse par. Não existe quinta menor. Não existe quarta maior. Esses quatro são chamados de justos, e a palavra faz um trabalho real: marca os intervalos que nunca foram divididos entre um claro e um escuro, porque desde o início só tiveram uma forma.

A razão remonta a uma lição que você já leu. A série harmônica produz primeiro a oitava, depois a quinta, depois a quarta — as relações mais simples que uma corda vibrante consegue formar, chegando antes de qualquer outra coisa. Esses são os intervalos justos. As terças e as sextas, que aparecem mais adiante na série e em proporções menores, são as que se dividem em dois humores.

É por isso que uma quinta soa oca, em vez de alegre ou triste. Ela não tem oposto contra o qual ser medida.

Aumentar ou reduzir um intervalo

As duas famílias podem ser empurradas um semitom em qualquer direção, e os nomes do resultado são as mesmas duas palavras.

  • Um semitom maior que o maior ou o justo: aumentado.
  • Um semitom menor que o menor ou o justo: diminuto.

Então a cadeia completa de uma terça — um intervalo que tem forma maior e menor — fica assim:

terça diminuta → terça menor → terça maior → terça aumentada

E a de uma quinta, que só tem a forma justa no meio:

quinta diminuta → quinta justa → quinta aumentada

Repare no que isso significa: uma quinta reduzida em um semitom não vira “menor”. Menor não é um tamanho disponível para a quinta. Ela vira diminuta, e é aí que está, na prática, toda a diferença entre as duas famílias.

Agora a linha que faltava: seis semitons

Seis semitons é a distância entre a quarta justa e a quinta justa — um passo acima da primeira, um passo abaixo da segunda. O que faz dela, dependendo de como você chega até ali, uma quarta aumentada ou uma quinta diminuta.

Ela não tem nome simples, e é exatamente por isso que a tabela a pulou. Todas as outras linhas daquela tabela podiam ser rotuladas com uma única palavra sem alteração. Esta não pode: ela é sempre a alteração de outra coisa.

Os músicos a chamam de trítono — três tons inteiros — e é o som mais marcante entre os doze. Ele divide a oitava exatamente ao meio, e por isso é o único intervalo que soa igual de cabeça para baixo: inverta um trítono e você obtém outro trítono.

Erros comuns a evitar

  • Dizer “quinta menor”. Não existe. Uma quinta com um semitom a menos é diminuta.
  • Achar que aumentado e menor são a mesma coisa porque a contagem bate. Uma segunda aumentada e uma terça menor têm três semitons cada, e são intervalos diferentes com funções diferentes — assunto de uma lição daqui a duas.
  • Tratar o trítono como um erro. Ele é instável de propósito, e metade da música que você gosta o usa deliberadamente para criar a tensão que uma resolução depois satisfaz.

Agora jogue

O exercício abaixo toca quatro distâncias: a terça maior, a quarta justa, o trítono e a quinta justa. Três delas têm nomes simples e uma não tem, e todas estão a dois semitons umas das outras, então o único caminho é ouvir a qualidade em vez de contar.

Procure primeiro o trítono. Assim que você conseguir identificar o instável, os dois intervalos justos de cada lado dele param de soar parecidos.