Onde ficam ii, vi e iii: os acordes que fazem as vezes
Um tom maior tem três acordes maiores e três menores, mais o acorde diminuto sobre o sétimo grau. A primeira lição deste módulo usou os três acordes maiores para explicar as três funções, porque eles são o exemplo mais claro de cada uma.
Os três acordes menores não são um segundo conjunto, mais triste. Eles são substitutos: cada um faz um trabalho que outro acorde já faz, com uma cor diferente.
Compartilhar notas é o que cria um substituto
Dois acordes podem fazer as vezes um do outro quando compartilham a maior parte das notas. Isso não é metáfora — é aritmética, e num tom maior o resultado é notavelmente limpo.
Em Dó maior:
| Acorde | Notas | Compartilha com |
|---|---|---|
| I | Dó Mi Sol | — |
| iii | Mi Sol Si | duas com I |
| vi | Lá Dó Mi | duas com I |
| IV | Fá Lá Dó | — |
| ii | Ré Fá Lá | duas com IV |
vi e iii compartilham duas de três notas com a tônica. É por isso que podem agir como tônica: caia em um deles em vez de I e a música chegou a algum lugar muito perto de casa, sem fechar a porta de todo.
ii compartilha duas de três com IV. É por isso que ele age como subdominante, e é por isso que ii–V–I e IV–V–I são a mesma frase.
A dominante não tem substituto entre os acordes menores, e isso não é um descuido: a sensível é o que faz de uma dominante uma dominante, e só V e vii° a contêm.
vi: a tônica que não se acomoda
vi é a relativa menor — as mesmas sete notas do tom maior, ouvidas a partir de outra casa.
Usado como substituto da tônica, é ele que faz a cadência de engano funcionar: V quer I, e vi chega no lugar. Duas das três notas que o ouvido esperava estão ali, então não é um susto; a que falta é justamente a tônica, então também não é uma resolução.
É também por isso que I–V–vi–IV gira para sempre. O vi está onde o final deveria ter estado.
ii: a subdominante com impulso
ii faz o trabalho de IV e se move melhor, pelo motivo que a lição anterior deu: a partir de ii, as fundamentais caem de quinta duas vezes seguidas até a tônica.
Há uma segunda razão, mais discreta, para recorrer a ele. ii é menor e IV é maior, então trocar um pelo outro muda a cor da partida sem mudar o que a frase está fazendo. Quem compõe, ao escolher entre os dois, está escolhendo um tom de cor, não uma função.
iii: o esquisito
iii é o menos usado dos sete, e é honesto dizer por quê em vez de fingir que ele é uma joia escondida.
Ele compartilha duas notas com I, então pode substituir a tônica — mas também contém a sensível, o que lhe dá um toque de dominante que um substituto de tônica não quer. Ele fica entre duas funções sem se comprometer com nenhuma.
Onde ele funciona é como passagem: I–iii–vi faz o baixo descer pelo tom em terças, e iii é o degrau do meio. Usado como ponto de chegada, é vago; usado como degrau, é elegante.
O que isso te dá
Pegue I–IV–V–I e substitua: I–ii–V–I, ou vi–IV–V–I, ou I–vi–ii–V. Todas são a mesma frase — casa, saída, tensão, casa — recolorida.
Essa é a técnica. As funções são a estrutura e os substitutos são a paleta, e saber qual acorde faz as vezes de quem é a diferença entre mudar a cor de uma progressão e quebrar a forma dela.
Erros comuns a evitar
- Tratar os acordes menores como “os tristes”. Num tom maior eles são estruturais, não emocionais. vi é onde uma cadência de engano cai, não onde a música fica triste.
- Esperar que um substituto seja intercambiável em qualquer lugar. vi substitui I num FINAL. Começar uma frase em vi faz o tom soar menor, e não maior.
- Recorrer a iii para parecer sofisticado. Ele é raro porque é ambíguo, e funciona melhor de passagem do que como chegada.
Agora jogue
O exercício toca uma progressão e pergunta qual acorde era o último. Todas as opções são graus do tom, e agora os menores estão na mistura.
A pergunta a se fazer é a mesma da primeira lição — ele se acomodou, saiu ou puxou? — com um acréscimo: se se acomodou, se acomodou até o fim? É isso que separa I de vi.