Modulação: mudar de tonalidade sem o ouvinte perceber

Duas lições atrás, um acorde tomou emprestada uma atração e a devolveu no instante seguinte. Uma lição atrás, um acorde tomou emprestada a cor do menor paralelo e a tonalidade não saiu do lugar. Aqui está o caso em que a tonalidade realmente muda — e o interessante é o quão pouco isso exige.

A diferença, dita sem rodeios

O que é emprestado O centro tonal muda?
Tonicização Uma dominante, por um acorde Não
Empréstimo modal A cor de um acorde Não
Modulação Nada — a própria tonalidade muda Sim

Uma modulação não é um acorde. É o momento em que a sensação de casa do ouvinte se muda de endereço e, depois disso, cada algarismo passa a significar outra coisa.

O pivô: um acorde, dois nomes

O jeito suave de mudar de tonalidade é passar por um acorde que pertence às duas.

Pegue Dó maior indo para Sol maior. As duas tonalidades compartilham seis das suas sete notas — a única diferença é Fá contra Fá♯ —, então compartilham vários acordes. Lá menor é um deles: é vi em Dó maior e ii em Sol maior. As mesmas três notas, duas funções.

Toque uma frase em Dó, chegue em Lá menor e então trate esse acorde como se fosse o ii de Sol — siga com Ré7 e Sol. O Lá menor foi ouvido como vi e abandonado como ii. Nada soou brusco, porque no momento da troca nada fora das duas tonalidades foi tocado.

Esse acorde é o pivô, e a técnica é o ofício inteiro: encontre um acorde que as duas tonalidades tenham, entre nele pela tonalidade antiga e saia dele pela nova.

A nova tonalidade precisa ser confirmada

Um pivô sozinho não muda nada. O que estabelece a nova tonalidade é o que vem depois: a dominante dela, resolvendo na tônica dela.

É essa a confirmação que o ouvido espera. Enquanto ela não chega, o trecho é ambíguo e ainda poderia ser lido na tonalidade antiga — e é exatamente nisso que uma tonicização difere de uma modulação. Uma dominante secundária aponta para um acorde e segue em frente; uma modulação aponta para um acorde e então fica, cadenciando ali.

Então a receita tem três passos, e o terceiro é o que conta:

  1. Um acorde que as duas tonalidades compartilham.
  2. A dominante da nova tonalidade.
  3. A tônica da nova tonalidade, alcançada como um final.

Para onde as peças costumam ir

Não muito longe. A modulação quase sempre ruma para uma tonalidade vizinha — uma cuja armadura difere por um único sustenido ou bemol, o que significa que as duas compartilham seis das sete notas e um bom punhado de acordes.

Partindo de Dó maior, os destinos habituais são Sol maior (a dominante), Fá maior (a subdominante) e Lá menor (a relativa menor). Uma primeira seção que vai para a dominante e volta para casa é o formato de uma quantidade enorme de música escrita antes de 1900, e o motivo de funcionar é que a viagem é curta o bastante para o ouvido acompanhar sem que ninguém precise avisar.

Os algarismos se mudam junto com a tonalidade

Esta é a parte que merece uma pausa, e é por isso que esta lição vem por último das três.

Antes do pivô, I significa Dó. Depois dele, I significa Sol. O mesmo símbolo nomeia um acorde diferente, porque um algarismo nunca foi um acorde — ele é uma posição dentro de uma tonalidade, e a tonalidade mudou por baixo dele.

Um acorde de Dó maior, depois de uma modulação para Sol, já não é a tônica. Ele é IV. Nada mudou no acorde; tudo mudou na função dele.

Erros comuns a evitar

  • Chamar uma dominante secundária de modulação. V/V toma emprestada uma atração e a devolve na hora. Nada cadencia na nova tonalidade, então nada se mudou.
  • Esperar ouvir o pivô. O pivô é justamente o acorde que NÃO soa como se algo tivesse acontecido. Se você ouviu a mudança ali, não foi uma modulação suave.
  • Modular sem cadenciar. Sem a dominante da nova tonalidade resolvendo na tônica dela, o ouvido lê o trecho inteiro como um desvio e nunca sai de casa.

Agora jogue

Toda progressão do exercício abaixo muda de tonalidade no meio do caminho, e a pergunta é qual acorde era o último — na tonalidade em que a progressão termina.

É esse o exercício inteiro. As opções vêm da nova tonalidade, então um algarismo lido contra a tonalidade inicial vai estar errado todas as vezes. Escute onde a frase finalmente se acomoda e nomeie o acorde a partir dali.