Dominantes secundárias: pegando emprestada uma atração

Todos os acordes que você encontrou até aqui pertencem ao tom. Sete acordes, construídos a partir de sete notas, e nada fora disso.

Esta lição traz a primeira nota de fora — e a surpresa é que ela não enfraquece o tom. Ela fortalece um acorde dentro dele.

Qualquer acorde pode ser tônica por um instante

A ideia inteira cabe em uma frase: escolha um acorde do tom, finja por um tempo que ele é a tônica e toque a dominante dele antes.

Pegue Dó maior e escolha o V — o acorde de Sol. Se Sol fosse a tônica, sua dominante seria Ré maior, porque a dominante fica uma quinta acima. Então toque Ré maior e depois Sol.

Esse Ré maior não está em Dó maior: o tom tem Ré–Fá–Lá, menor, e este é Ré–Fá♯–Lá. O Fá♯ é a nota emprestada, e ela é emprestada para uma tarefa específica. Ele é a sensível de Sol — um semitom abaixo, puxando para ele exatamente como o Si puxa para o Dó.

O acorde de Sol chega com a mesma força que normalmente cabe à tônica. É isso que uma dominante secundária faz: empresta a atração de uma cadência de verdade a um acorde que não é a tônica.

Como se escreve

V/V, que se lê “cinco da cinco”: a dominante do quinto grau.

A barra não é uma fração nem indica nota no baixo. Ela significa de — o acorde da esquerda é a dominante, e o acorde da direita é aquele para o qual ela aponta. V/vi é a dominante do sexto grau, V/ii a dominante do segundo.

Essa notação carrega algo que as notas sozinhas não conseguem carregar. Em Dó maior, V/V e um acorde de II cromático são os mesmos três sons — Ré, Fá♯, Lá — e são acordes diferentes, porque um está a caminho de Sol e o outro não. O nome registra a intenção, que é o mesmo argumento que a lição sobre intervalos enarmônicos fez a respeito de notas isoladas, reaparecendo agora um nível acima.

Para que serve

Porque o V puro já é o acorde mais forte do tom, e a dominante secundária é o jeito de tornar a chegada até ele igualmente forte.

Compare:

I – ii – V – I — a frase comum. I – V/V – V – I — a mesma frase, com a chegada ao V transformada em um pequeno acontecimento próprio.

A segunda tem um momento de tensão dentro da tensão. O Fá♯ aparece, resolve em Sol, e então o acorde de Sol inteiro resolve em Dó. Duas atrações, uma depois da outra, e a frase chega duas vezes.

Os músicos chamam esse efeito de tonicalização: por um tempo, o tom age como se o V fosse a casa. Não é uma modulação — nada se compromete, e o Fá♯ nunca mais volta — apenas uma atração emprestada, gasta na hora.

Quais acordes podem ter uma

Qualquer acorde que possa ser tônica. Isso quer dizer os acordes maiores e menores do tom — I, ii, iii, IV, V e vi — e não o vii°, porque um acorde diminuto não pode ser tônica e nada aponta para ele.

Na prática, V/V é de longe o mais comum, seguido de V/vi e V/IV. E o V/IV merece uma segunda olhada: a dominante do quarto grau em Dó maior é Dó7 — o acorde de tônica com uma sétima acrescentada. É por isso que um blues começa num I7 e por isso que ele já soa inclinado para algum lugar.

Erros comuns a evitar

  • Ler V/V como fração ou como acorde com baixo invertido. V/V é “a dominante da dominante”. Sol/Si — uma cifra sobre outra — é uma notação completamente diferente, e significa um acorde de Sol com Si no baixo.
  • Achar que o tom mudou. Uma nota cromática que resolve imediatamente é uma tonicalização. Modulação é o assunto da próxima lição, e exige bem mais do que isso.
  • Esperar que a dominante secundária soe errada. Ela soa como uma chegada mais forte, e é por isso que está em toda parte na música escrita muito antes de alguém dar esse nome a ela.

Agora jogue

O exercício toca uma progressão com o último acorde faltando, e a maioria delas tem uma dominante secundária em algum ponto.

Isso é um presente, não uma dificuldade: uma dominante secundária avisa o que vem depois. Ouça a atração cromática, pergunte para onde ela está puxando, e você terá a resposta antes de contar qualquer coisa.