A clave de dó: a terceira, e por que ela se muda de lugar

Você já conheceu duas claves, e as duas se comportam do mesmo jeito: cada uma está pregada a uma linha e nunca sai dela. Existe uma terceira, e o interessante nela é justamente que ela sai.

A clave que dá nome ao dó central

Uma clave fixa uma linha a uma altura — é essa a função dela por inteiro, e a clave de dó faz exatamente isso. O que ela fixa é o dó central.

O símbolo é desenhado para mostrar onde: suas duas curvas se encontram, apontando para dentro, exatamente na linha que ela nomeia. Ache o estrangulamento e você achou o dó central. Todo o resto decorre daí nas duas direções, um nome por degrau, a mesma escada que você já lê.

Por que ela se move

Sol e fá são fixas. Coloque uma clave de sol na página e ela estará sempre enrolada na segunda linha de baixo para cima; a clave de fá senta sempre na quarta. Os nomes vêm daí, e nenhuma das duas jamais esteve em outro lugar no uso comum.

A clave de dó não é assim. Ela é colocada na linha que mantiver a música dentro da pauta, e recebe um nome diferente conforme onde pousa:

  • Na terceira linha — a do meio — é a clave de dó na terceira linha, também chamada de clave de contralto.
  • Na quarta linha é a clave de tenor.

Mesmo símbolo, mesma regra, degrau nomeado diferente. É essa a diferença inteira, e ela é menor do que parece: uma vez que você sabe que o estrangulamento aponta para o dó central, você consegue ler uma clave de dó que nunca viu antes só encontrando o estrangulamento.

Quem a lê, e por que precisa dela

A viola de arco fica entre o violino e o violoncelo. Escreva-a na clave de sol e a metade grave despenca por baixo em pilhas de linhas suplementares; escreva-a na clave de fá e a metade aguda foge por cima do mesmo jeito. Nenhuma das duas é legível, e a música não tem nada de extremo — ela só está no meio.

Então a viola de arco ganha uma clave cuja âncora está no meio. A clave de contralto coloca o dó central na linha central, e a extensão do instrumento se acomoda em volta dela.

A clave de tenor existe pelo mesmo motivo, um degrau acima: violoncelo, fagote e trombone vivem quase sempre na clave de fá, e quando uma passagem sobe eles trocam para a clave de tenor em vez de empilhar linhas suplementares acima da pauta. Voltam para baixo quando a música desce. A clave é uma ferramenta para manter as notas perto das linhas, e é usada exatamente quando ajuda.

A mesma nota, desenhada de três jeitos

Esta é a parte que vale guardar. O dó central é uma altura só — uma tecla debaixo do seu dedo, uma corda no violão. Aqui está ele na clave de sol, uma linha suplementar abaixo da pauta:

Aqui está ele na clave de fá, uma linha suplementar acima:

E aqui está ele de novo na linha central da clave de contralto, sem precisar de linha suplementar nenhuma:

Três desenhos, um som. A clave não mudou a nota; mudou onde a nota precisava ser desenhada. É esse o argumento a favor de existirem três delas, apresentado em três figuras.

Ler essa clave não é uma habilidade nova

Existe a tentação de tratar a clave de contralto como um sistema separado a ser decorado, do jeito que um iniciante trata a clave de fá no começo. Não é, e tratá-la assim é justamente o que torna a coisa difícil.

Nove posições, uma escada, uma âncora nomeada pela clave. Você já conhece a regra. A única coisa que mudou foi qual degrau recebeu o nome — e a clave de dó te conta isso, apontando para ele.

Erros comuns a evitar

  • Ler a clave de contralto como se fosse a de sol. Toda nota sai uma sétima alta demais — um degrau a menos que uma oitava inteira, o que é o que torna o erro tão escorregadio: o contorno da linha ainda soa certo, errado só o suficiente para ser inutilizável. Se uma passagem parece absurdamente aguda para uma viola de arco, confira a clave antes de conferir sua leitura.
  • Achar que existem duas claves de dó. Existe uma só, em linhas diferentes. Contralto e tenor são posicionamentos, não símbolos.
  • Contar a partir da linha de baixo. Mesmo beco sem saída de sempre: comece pelo estrangulamento, que é a linha para a qual a clave está apontando.

Agora jogue

A pauta abaixo está na clave de contralto, sem armadura de clave, com todas as notas dentro da pauta. Ache primeiro o estrangulamento — a linha do meio, o dó central — e leia cada nota como uma distância a partir dele. As primeiras vão ser lentas. É essa a intenção: esta é a clave em que o hábito da âncora é a única coisa que funciona, porque você não tem formatos decorados para se apoiar.