Acordes Diminutos e Aumentados
Acordes maiores e menores dão a sensação de repouso — um som confortável para pousar. Os acordes diminutos e aumentados são o oposto: parecem forçar uma saída, querendo ir para outro lugar. Essa inquietação não é um defeito, é justamente o ponto, e os compositores a usam de propósito há séculos.
A receita da tríade diminuta
Um acorde diminuto é construído empilhando duas terças menores, uma sobre a outra:
- Fundamental — vamos usar Dó de novo.
- Terça menor — conte 3 semitons acima da fundamental. A partir de Dó: Ré♯.
- Outra terça menor — conte mais 3 semitons a partir dali, o que dá 6 semitons no total desde a fundamental. A partir de Dó: Fá♯.
Então Dó diminuto = Dó, Ré♯, Fá♯ — uma fundamental, depois 3 e depois 6 semitons no total. Compare com Dó menor (3 e depois 7): a quinta encolheu mais um semitom, deixando de ser justa (7) para se tornar diminuta (6), e é isso que dá ao acorde aquele caráter tenso e apertado.
A receita da tríade aumentada
A tríade aumentada é a imagem espelhada da diminuta: duas terças maiores empilhadas, em vez de duas terças menores:
- Fundamental — Dó novamente.
- Terça maior — 4 semitons acima. A partir de Dó: Mi.
- Outra terça maior — mais 4 semitons, ou 8 semitons no total desde a fundamental. A partir de Dó: Sol♯.
Então Dó aumentado = Dó, Mi, Sol♯ — uma fundamental, depois 4 e depois 8 semitons no total. Enquanto o acorde diminuto parece comprimido, o aumentado parece esticado — a quinta cresceu um semitom além da justa, entrando em um território estranho e aberto.
Por que os dois soam tensos
Os dois acordes evitam a quinta justa, que é o que dá ao maior e ao menor a sensação de “casa”. O diminuto soa ansioso e sem resolução — quer encolher ainda mais ou voltar rapidamente para algo estável. O aumentado soa onírico e suspenso, como se flutuasse em vez de pisar em chão firme. Nenhum dos dois quer ser o último acorde de uma peça; ambos criam uma energia que puxa o ouvido para o que vem a seguir.
Onde eles aparecem na música de verdade
Acordes diminutos são comuns como acordes de passagem — um breve degrau entre dois acordes mais estáveis, usado para criar tensão logo antes de uma resolução. Já os acordes aumentados aparecem com mais frequência em cadências cromáticas, progressões deslizantes em que as notas de um acorde sobem por semitons a caminho de outro lugar. Nenhum dos dois é feito para ser destino; ambos servem para criar movimento.
Uma simetria curiosa no acorde aumentado
Como a tríade aumentada é construída inteiramente com intervalos iguais de 4 semitons (4 e depois mais 4, chegando a 8), qualquer nota do acorde soa igualmente plausível como “casa” — Dó aumentado (Dó, Mi, Sol♯), Mi aumentado (Mi, Sol♯, Dó) e Sol♯ aumentado (Sol♯, Dó, Mi) são exatamente as mesmas três notas, apenas descritas a partir de uma delas diferente. Chamar uma dessas três de “fundamental” é, na prática, uma convenção de nomenclatura, não algo que o seu ouvido conseguiria decidir sozinho: toque o acorde isolado e não haverá nenhuma pista acústica dizendo qual nota é “realmente” a primeira. Essa simetria, porém, é uma curiosidade de teoria musical — ela não afrouxa o exercício. O jogo sempre apresenta os acordes aumentados no posição fundamental e indica uma fundamental específica no enunciado, então você ainda precisa construir a partir exatamente da nota que ele der.
Erros comuns a evitar
- Confundir para que lado cada acorde se desloca. O diminuto encolhe a quinta (6 semitons em vez de 7); o aumentado a estica (8 em vez de 7). Mantenha a direção clara lembrando das terças: duas terças menores encolhem, duas terças maiores esticam.
- Esquecer que a quinta é a distância total, e não apenas o segundo passo. O “6” e o “8” acima são semitons contados desde a fundamental, não desde a nota do meio.
- Esperar que esses acordes soem resolvidos. Se um acorde diminuto ou aumentado soar “certinho” para você, confira sua contagem — o caráter dos dois é justamente a tensão não resolvida.
Agora jogue
Esta rodada mistura tríades diminutas e aumentadas. Construa a primeira terça exatamente como faria para o menor ou o maior e depois confira a distância total da fundamental até a nota mais aguda: 6 semitons no total significa diminuto, 8 significa aumentado. Nos acordes aumentados, construa sempre a partir exatamente da nota que o enunciado indicar como fundamental — o jogo os apresenta apenas no posição fundamental, então a simetria sobre a qual você acabou de ler é um fato interessante sobre o som, não um atalho para o exercício.