Do Re Mi ou C D E? Três maneiras de nomear as mesmas notas
Pergunte como se chama a tecla branca logo à esquerda das duas teclas pretas e você receberá três respostas. Em Londres, ela é C. Em Roma, Paris, Madri, Lisboa e São Paulo, ela é Do. Em Berlim, ela também é C — mas sete teclas acima, a nota que um falante de inglês chama de B se chama H, e B significa outra coisa. Nenhuma das três é um erro, e nenhuma é mais musical que as outras.
Nomes por letras: C D E F G A B
O mundo anglófono e os Países Baixos nomeiam as sete notas naturais com as sete primeiras letras do alfabeto, normalmente recitadas a partir de C: C D E F G A B. Sustenidos e bemóis são símbolos colocados depois da letra: C♯, B♭.
As cifras de acordes também usam letras, e essa parte se espalhou muito além do inglês: uma partitura simplificada no Brasil ou na França escreve G7 e Am, não Sol7 e Lam.
Dó fixo: Do Re Mi Fa Sol La Si
Itália, Espanha, França, Portugal, Brasil, o resto da América Latina, Grécia, Romênia, Rússia, Japão e Coreia nomeiam essas mesmas sete notas com sílabas. As sílabas são de origem italiana e se escrevem Do Re Mi Fa Sol La Si; algumas línguas acentuam parte delas — o português escreve Dó, Ré, Fá e Lá, o francês escreve Ré — e o japonês e o coreano as escrevem em seus próprios sistemas de escrita.
Elas surgiram no século XI como um recurso mnemônico para cantores, tiradas por Guido d’Arezzo das primeiras sílabas de um hino cujas frases começavam cada uma um grau acima: Ut, Re, Mi, Fa, Sol, La. Ut depois virou o mais cantável Do, e Si foi acrescentado para a sétima nota.
No dó fixo, as sílabas são nomes absolutos, exatamente como as letras: Do é sempre a nota que um falante de inglês chama de C, seja qual for a tonalidade da peça. Sustenidos e bemóis se juntam da mesma forma — Do♯, Si♭.
O H alemão
O alemão, o polonês, o tcheco, o húngaro e as línguas escandinavas usam letras, com duas diferenças. As notas naturais seguem C D E F G A H: a nota que o inglês chama de B se chama H. E a letra B não fica sobrando — ela nomeia o B♭. Uma armadura de clave alemã com um bemol abaixa H para B, e a ordem dos sustenidos em alemão termina em H, não em B.
O motivo é um acidente de copista. Na notação medieval a sétima nota vinha em duas formas, um B “duro” escrito com um b quadrado e um B “mole” escrito com um b redondo. O b redondo virou o sinal de bemol, ♭; o b quadrado, na caligrafia dos copistas alemães, passou a parecer um h e foi lido como tal.
O resto segue sua própria lógica. Um sustenido é o sufixo -is, então C♯ é Cis e F♯ é Fis. Um bemol é o sufixo -es, então D♭ é Des e G♭ é Ges, com duas contrações, Es e As — e B♭ é simplesmente B, nunca “Hes”. O neerlandês adota os mesmos sufixos, mas mantém B para a natural, então o B♭ neerlandês é Bes: os dois vizinhos divergem exatamente nesse ponto.
Dó móvel é outra coisa
Nas salas de aula anglófonas também se ensina Do Re Mi, mas como dó móvel: Do é a primeira nota da tonalidade em que você está e se move junto com ela, e a sétima se chama Ti, não Si. Isso é uma ferramenta para ouvir o contorno de uma melodia, não um sistema de nomes para alturas absolutas, e é por isso que um brasileiro e um americano podem ambos dizer “Do Re Mi” e estar falando de coisas diferentes.
As mesmas doze notas
Coloque as três fileiras lado a lado e elas se alinham nota por nota:
- C — Do — C
- D — Re — D
- E — Mi — E
- F — Fa — F
- G — Sol — G
- A — La — A
- B — Si — H
As doze notas da oitava, os semitons entre elas, o modo como uma escala ou um acorde se constrói — nada disso muda com o nome. Uma terça maior tem quatro semitons, quer você conte de C a E, quer conte de Do a Mi.
Portanto, nenhum dos três é mais correto. As letras são mais curtas de escrever e são o que as cifras usam em toda parte. As sílabas são mais fáceis de cantar, e foi justamente para isso que elas foram inventadas. O H alemão é uma peculiaridade histórica que metade da Europa conservou. Aprenda o sistema que seu professor e suas partituras usam. Se for Do Re Mi, aprenda também as letras, por causa das cifras; se for C D E, saiba que Si não é um erro de impressão.
O que este site mostra para você
Este site segue a sua língua por padrão: uma página em português nomeia as notas em solfejo, uma página em alemão escreve H e Fis, uma página em inglês escreve B e F♯. Sempre que uma pauta pedir que você nomeie uma nota, há um controle que alterna para o outro sistema. Um leitor de uma língua de solfejo que escolher letras recebe o C D E internacional; um alemão que escolher letras continua com H, porque o alemão já usa letras.
A lição sobre notas e semitons apresenta as doze notas às quais os nomes se prendem, e a lição sobre leitura da pauta mostra como uma clave lhes dá um lugar na página.